Crimes eleitorais no Ceará: ações da Polícia Federal apreenderam R$ 1 milhão e cumpriram 36 mandados de busca e apreensão
Balanço divulgado tem ações realizadas desde o dia 16 de agosto, data do início da propaganda eleitoral. Neste período, uma pessoa foi presa em flagrante.
Quatro operações relacionadas a possíveis irregularidades nas eleições de 2026 resultaram em 36 mandados de busca e apreensão, uma pessoa presa em flagrante e R$ 1,09 milhão em espécie apreendidos no Ceará, desde o mês de agosto. O balanço foi divulgado nesta sexta-feira (2) pela Polícia Federal.
Conforme o órgão, a atuação no Ceará busca prevenir e combater crimes eleitorais, com o cumprimento de determinações da Justiça Eleitoral e a investigação de possíveis irregularidades no processo eleitoral. As ações tiveram apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).
Os números foram contabilizados desde o dia 16 de agosto, considerando ações realizadas no Ceará desde o início da propaganda eleitoral.
Suspeita de compra de votos
A única prisão em flagrante realizada neste período foi na última quarta-feira (30), em Fortaleza. Douglas Queiroz Farache, de 34 anos, foi preso em posse de cerca de R$ 350 mil em espécie durante abordagem policial.
A investigação aponta que o valor é incompatível com a renda do homem, que é suspeito de sacar o dinheiro para realizar compra de votos nas eleições. A defesa alegou que o valor tem relação com o trabalho do cliente, e não com compra de votos.
Conforme Auto de Prisão em Flagrante, o suspeito chegou a uma agência bancária no bairro Aldeota, acompanhado de outro homem, levando mochilas. Eles realizaram um saque de um grande valor em espécie.
O carro de Douglas tinha adesivos de dois candidatos — sendo um a deputado federal e o outro a deputado estadual. Entretanto, a PF considerou que não há “qualquer outro vínculo que demonstre, neste momento, vínculo entre o numerário e campanha eleitoral, sendo necessário o aprofundamento investigativo”. Por isso, o g1 opta por não citar o nome dos candidatos.
Nesta sexta-feira (2), Douglas foi solto após passar por audiência de custódia. Apesar do pedido da PF para a Justiça decretar a prisão preventiva do suspeito, o Ministério Público e a magistrada entenderam que não havia elementos que justificassem a manutenção da prisão.
“A audiência de custódia ocorreu normalmente e, como a defesa esperava, Douglas foi colocado em liberdade. A defesa sustenta que a conduta atribuída a Douglas não configura atividade ilícita e seguirá demonstrando isso no curso do devido processo legal, com pleno exercício do contraditório e da ampla defesa”, afirmou o advogado Renato Araújo.
Ações continuam
Segundo a Polícia Federal, as ações relacionadas ao 1º turno das eleições continuam durante o fim de semana, em articulação com a Justiça Eleitoral, o Ministério Público Eleitoral e outros órgãos.
As investigações em andamento irão continuar após o 1º turno, com análise dos materiais e das informações obtidas nas ações em curso.
